Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Tragédia de Entre-os-Rios tem Arguidos

Quatro técnicos da ex-Junta Autónoma de Estradas e dois funcionários da empresa responsável pela vistoria subaquática da ponte Hintze Ribeiro vão ser levados a tribunal no âmbito do processo da queda da ponte de Entre-os-Rios.

O juiz de Instrução do Tribunal de Castelo de Paiva decidiu hoje levar os seis arguidos a julgamento para apuramento de responsabilidades. Esta decisão vem no decorrer de um recurso interposto pelo Ministério Público sobre a decisão inicial de arquivamento do processo, que concluia que o acidente se deveu a causas naturais.

Os arguidos já tinham sido pronunciados em Janeiro pelo Tribunal da Relação do Porto onde foi entregue o recurso do Ministério Público, mas seguiram-se uma série de recursos da parte da defesa que foi arrastando o processo até a decisão tomada hoje em castelo de Paiva.

A queda da ponte Hintze Ribeiro – que deu origem à maior cobertura mediática nacional de sempre - ocorreu no dia 4 de Março de 2001, provocando a morte a cinquenta e nove pessoas que atravessavam a ponte no momento do desastre num autocarro e três carros ligeiros. Trinta e seis dos corpos não chegaram a aparecer.

No inquérito às causas do acidente foram constituídas arguidas vinte e nove pessoas, entre elas vários areeiros responsáveis pela extracção de areias junto da ponte e o antigo presidente do Instituto de Navegabilidade do Douro.

Depois de ficar isolada pelo rio, a cidade de Castelo de Paiva inaugurou um ano depois, em Maio, a nova ponte Hintze Ribeiro sobre a qual foi colocado um monumento em memória das vítimas da tragédia. “Anjo de Portugal” é o nome da escultura de Henrique Coelho.
Para informação adicional:

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Jornalistas vs Cidadãos-jornalistas

Cidadão-Jornalista é uma expressão que está cada vez mais na ordem do dia. As novas tecnologias permitem a cidadãos comuns terem comportamentos tipicamente jornalísticos.

Máquinas fotográficas e de filmar de dimensões reduzidas, telemóveis (que se tornaram indispensáveis no bolso de qualquer um) com câmara fotográfica, gravador e câmara de filmar possibilitam a qualquer pessoa captar o acontecimento no momento. A par destes engenhosos aparelhos vulgarizam-se cada vez mais os blogues, diários de bordo dos cibernautas. Os blogues, que se foram espalhando pelo mundo, permitem a qualquer pessoa publicar aquilo que entender sobre qualquer tema. Hoje em dia, são muitos os bloguistas que usam os seus blogues para publicações de carácter noticioso/informativo. O cidadão comum pode captar o acontecimento e dá-lo a conhecer a todo o mundo, é a isto que se chama cidadão-jornalista.

Mas um jornalista é só isto? Os bons jornalistas estudaram para o ser, dedicam as suas vidas em busca das notícias, dedicam as suas vidas para que cheguem às nossas casas a informação a que temos direito. O jornalismo não é só isso. Chamar jornalista a um qualquer cidadão diminui a profissão de jornalista? Por muito bons que sejam os bloguistas na capacidade de informar, por muito noticiosos e precisos ou por muitos blogues que surjam todos os dias, algum dia substituirão os verdadeiros jornalistas ou os verdadeiros jornais? Aquilo a que chamam cidadãos-jornalistas não é mais do que um cidadão munido de liberdade de expressão e com capacidade de divulgar aquilo que quiser. Quem procura informação primeiro procura nos meios jornalísticos e só depois se a curiosidade ou o interesse persistir pesquisará alguns blogues.

A explosão de blogues sobre todos os temas possíveis e imaginários é uma realidade a que os verdadeiros jornalistas terão que se adaptar e saber viver com ela. Há que distinguir aquilo que é jornalismo do que não é. Há que saber usufruir das potencialidades que os blogues oferecem tanto a cidadãos como a jornalistas. E acima de tudo, há que dar o respectivo e merecido valor tanto aos jornalistas, como aos chamados cidadãos-jornalistas, tendo em conta as suas diferenças.

Terça-feira, Novembro 01, 2005


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